Manisfesto Contra o Aborto

Os Movimentos Católicos denominados Renovação Carismática Católica do Brasil, Equipes de Nossa Senhora do Setor Toledo - PR e Focolares do Setor Toledo - PR; a Diocese de Toledo - PR; a Pastoral da Juventude do Decanato de Toledo/PR e as entidades civis Associação Cristo Rei, Instituto Juventude pela Vida e Ministério Universidades Renovadas do Brasil por intermédio de seus representantes que adiante subscrevem, Considerando que há vários anos tramitam na Câmara dos Deputados projetos de lei que pretendem a descriminalização (legalização) do aborto no Brasil; Considerando que atualmente está em trâmite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei n.º 1.135/91, com vários projetos de lei apensados, dentre eles o Substitutivo da Relatora Dep. Jandira Feghali (PCdoB / RJ) que estabelece em seu Artigo 9º que “... Revogam-se os arts. 124, 126, 127 e 128 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).” (ou seja, que pretende a descriminalização total do aborto até o 9º mês de gestação), além doProjeto de Lei “PL 176/95, do Dep. José Genoíno, que  ‘Dispõe sobre a opção da interrupção da gravidez’, permitindo a livre interrupção até 90 dias de gestação. Para realização basta reivindicação da gestante, sendo a rede pública é obrigada a realizar o aborto” (ou seja, que pretende obrigar o Serviço Único de Saúde - SUS a realizar abortos até os noventa dias de gestação, mediante reivindicação da gestante),RESOLVEM  formalizar o presente:

MANIFESTO CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

Pelo fato de que somos contra a descriminalização e a legalização do aborto, dentre outros, pelos motivos e fundamentos seguintes:

  1. Temos absoluta consciência e convicção de quea vida humana tem seu início no momento da fecundação, e não somente a partir de algumas semanas ou meses de gestação, quando, por exemplo, a mãe começa a aperceber-se dos movimentos ou quando, hipoteticamente, começa a atividade cerebral. A constatação de que a vida humana inicia a partir da fecundação já foi defendida por vários cientistas, juristas e outros estudiosos, que já fizeram diversas publicações acerca dessa questão, sendo que muitas certamente já são do vosso conhecimento. Mas nem é preciso ser cientista para se chegar à evidente conclusão de que a vida humana inicia-se a partir da fecundação. O zigoto, embrião ou feto é vivo (não é morto); é um ser (tem existência real) e é humano (não é mineral, nem vegetal, não é imaterial, nem vírus ...). O crescimento do zigoto, embrião ou feto ocorre naturalmente e espontaneamente no útero da mulher – logo, ele é vida. Se a fecundação resulta da união de dois seres humanos, é evidente que no útero da mulher vai surgir um ser humano. Não há nenhuma transmutação de algo que não é humano para a vida humana. Estamos à mercê da aprovação de projetos de lei que trarão resultados catastróficos, pois os defensores do aborto sequer conseguem chegar a um consenso em precisar qual seria o exato momento em que a vida humana tem seu início. Assim, há o eminente, temível e terrível risco de passarmos a estar com nossas “mãos sujas de sangue” pela matança indiscriminada e legalizada de milhões de inocentes, quer seja pela nossa ação, quer seja pela nossa omissão.
  2. Os projetos de lei que dispõem sobre a legalização do aborto no Brasil, se aprovados, criariam leis inconstitucionais, por ofensa ao Artigo 5º da Constituição Federal, que assegura a inviolabilidade do direito à vida. Conforme já se manifestaram renomados juristas, o aborto ofende o direito à vida, direito esse assegurado constitucionalmente. A garantia individual do direito à vida é uma cláusula pétrea, que não pode ser revogada nem mesmo por emenda constitucional (CF/88, Art. 60, § 4º, IV). A vida é um direito inalienável, que não pode ser perturbado por pessoa alguma. Conforme afirmam vários juristas, “o Brasil é signatário do Pacto de São José da Costa Rica, ratificado pelo Congresso Nacional através do Decreto nº 678, de 6.11.92, que dispõe no artigo 3º que ‘Toda pessoa tem direito ao reconhecimento da sua personalidade’. Em seguida, no inciso I, do artigo 4º, complementa: ‘Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente’ ”. Dentre inúmeros cientistas que afirmam que a vida humana começa na fecundação vamos citar Jérôme Lejeune, professor da universidade de René Descartes, em Paris, que dedicou toda a sua vida ao estudo da genética fundamental, descobridor da Síndrome de Dawn (mongolismo), nos diz: "Não quero repetir o óbvio, mas, na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos da mulher, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano estão presentes. A fecundação é o marco do início da vida. Daí para frente, qualquer método artificial para destruí-la é um assassinato".   Afirmar que “o embrião humano não tem cérebro e é comparável à morte cerebral” é uma “... Comparação absurda, pois a morte cerebral é uma situação irreversível - não há maneira de recuperar os neurônios mortos - ...”. Também não tem sentido afirmar que o embrião ou feto não é um ser humano, ou que não tem vida, porque é “apenas” um “aglomerado de células”: o ser humano adulto também é formado por um aglomerado ou conjunto de células. Célula é “unidade fundamental dos seres vivos” ; logo, não há como existir um ser humano sem que exista um “aglomerado de células”. “A vida humana é contínuo desenvolver-se, ... porque o zigoto, constituído por uma única célula, imediatamente produz proteínas e enzimas humanas, é totipotente, vale dizer, capacita-se, ele próprio, ser humano embrionário, a formar todos os tecidos, que se diferenciam e se auto-renovam, constituindo-se em ser humano único e irrepetível.” (Os destaques não são do original). Afinal, de onde vem um ser humano?
  3. Os projetos de lei em trâmite na Câmara dos Deputados que dispõem sobre a legalização do aborto são imorais e antiéticos; entendemos ainda que, se aprovados, criariam leis inconstitucionais por infração ao princípio constitucional da moralidade da administração pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal). É evidente que o aborto provocado pela própria mãe é imoral e antiético, pois jamais a moral e a ética irão permitir matar outro ser humano inocente e indefeso, que sequer pode reagir a tamanha agressão e injustiça, sobretudo quando se tratar da mãe matando seu próprio filho. Tal conduta jamais poderá ser considerada uma conduta legal, juridicamente admitida e livremente autorizada. A mulher tem o direito de não querer ter filhos. Mas o fato de não querer ter filhos não dá a ela, nem a outrem, o direito de destruir o próprio filho em seu útero. E o que dizer de um projeto de lei que estabelece a obrigação do Estado em realizar abortos? Onde ficaria a moralidadeda administração pública caso o Estado estiver obrigado a matar seres humanos?
  4. Entendemos ainda que obrigar a rede pública e/ou os planos de saúde a realizar o aborto infringe os princípios constitucionais da inviolabilidade da liberdade, da intimidade, da honra e da imagem dos profissionais da saúde (Constituição Federal, Art. 5º, caput e inciso X). A aprovação de projetos de lei que obrigam os profissionais da saúde a realizar a conduta imoral e antiética do aborto, além de repugnante, é injusta e inconstitucional, até mesmo porque “... o médico ao formar-se faz um juramento de defender a vida desde a concepção” , ou seja, não deve promover a morte – e muito menos deve estar obrigado a realizar abortos –. Além do mais, estudos publicados afirmam que “o aborto é a morte violenta de um ser humano” que provoca “... conseqüências psicológicas ... sobre o pessoal médico envolvido: - estados patológicos que se manifestam em diversas formas de angústia, sentimento de culpa, depressão, tanto nos médicos quanto no pessoal auxiliar, por causa da violência contra a consciência. Os abortos desmoralizam profissionalmente o pessoal médico envolvido, porque a profissão do médico é a de salvar a vida, não de destruí-la.”
  5. A realização do aborto não é um direito da mãe, nem de qualquer pessoa. Como é de conhecimento, a divisão anatômica básica do corpo humano é feita em cabeça, tronco e membros. O zigoto, embrião ou feto não faz parte integrante do corpo da mulher. E desde quando a vida do filho é propriedade da mãe? Não tem sentido afirmar que o ser que está no útero da mãe grávida não tem direito à vida pelo fato de que depende da mãe ou dos adultos para continuar a viver, pois a criança recém-nascida também depende da mãe ou dos adultos para continuar a viver. Quem realiza a “interrupção da gravidez” está matando outra vida humana. O ser que está no útero da mãe grávida é um ser humano distinto dos seus progenitores. A vida é um direito assegurado pela Constituição Federal, Constituição essa que não prevê qualquer exceção a tal direito. Uma vez concebido o ser humano, este terá direito à vida (da mesma forma que a têm os seus progenitores!). A própria Constituição Federal estabelece que “A família, ... , tem especial proteção do Estado” (Art. 226, caput) e que “O Estado assegurará a assistência à família ... , criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações” (§ 6º do Art. 226). Em um Estado Democrático de Direito (que é o Brasil) o direito de um termina onde começa o direito do outro. A paternidade responsável é um princípio que deve ser observado (CF/88, Art. 226, § 7º). Assim, tendo sido concebido um ser humano, este terá o direito de nascer e o direito de viver. Qual é a diferença entre matar o filho com algumas horas/semanas de vida (no útero), ou com 6 meses ou 1 ano de idade? Qual seria a reação de um sujeito se a própria mãe (ou os pais) dissessem a ele: “não te quero; não quero nem ver você! Vou realizar a interrupção da sua vida” (ou, em outras palavras: “Vou te matar”)? Qual seria a reação de uma pessoa (normal) se entregassem a ela algumas crianças recém-nascidas para que ela começasse a picotar-lhes os braços, as pernas e as cabeças, até a morte, de forma semelhante à uma das “técnicas” utilizadas para fazer abortos?
  6. O fato de que muitas mulheres estão morrendo ou sofrendo lesões ao praticar o aborto não justifica a sua legalização, muito menos justifica que a rede pública deva ser obrigada a realizá-lo. Se da prática de um crime ocorrem danos para o criminoso, não devemos concluir que a solução do problema é legalizar a prática e dar estrutura estatal e privada para que o agente possa praticar seu ato com segurança. Muitos assassinos, estupradores, seqüestradores e outros criminosos também morrem quando tentam praticar seus atos, ou sofrem por muitos anos nos presídios, em decorrência da sua conduta. Se, para evitar danos a quem comete um crime, deve-se revogar os artigos da lei que dizem que tal conduta é crime, e deve-se obrigar o Estado a praticar tal conduta, mediante reivindicação, então, para tentar diminuir danos ou prejuízos, seria correto revogar todo o código penal e obrigar os policiais a praticar as condutas que os criminosos cometeriam, mediante reivindicação? Existem o bem e o mal, o certo e o errado. Se o Estado aprovasse uma lei estabelecendo que: “estão autorizados os filhos a baterem na própria mãe”, isso continuaria sendo errado e intrinsecamente mal, assim como é o aborto. A “liberdade” para o mal não é liberdade, é tirania. Não é liberando tudo que a sociedade vai “entrar nos eixos”. A lei do Estado deve ser ética e justa, deve estar sujeita à Lei Moral Natural, à Lei de Deus .
  7. Conforme estudos já publicados, o aborto traz conseqüências para a mãe: “queda na auto-estima pessoal pela destruição do próprio filho; frigidez (perda do desejo sexual); aversão ao marido ou ao amante; culpabilidade ou frustração de seu instinto materno; desordens nervosas, insônia, neuroses diversas; doenças psicossomáticas; depressões”. Traz conseqüências sobre as crianças que nascem depois: “abortos de repetição no primeiro e no segundo trimestre de gravidez; partos prematuros; parto difícil, contrações prolongadas; malformações congênitas provocadas por uma placenta imperfeita; morte perinatal por prematuridade extra-uterina (50% morrem no primeiro mês de gravidez); os prematuros que sobrevivem com freqüência são excepcionais (paralisia cerebral, disfunções neurológicas etc.); gravidez ectópica (fora do lugar) nas trompas, podendo ser fatal para a mãe - para o feto o é sempre - (a gravidez ectópica, nas trompas, é oito vezes mais freqüente depois de aborto provocado); nascimento prematuro, através de cesariana, para salvar a vida da mãe e da criança: trinta e três por cento de abortos são abortos em que as crianças nascem em posição invertida (de nádegas); atraso mental por causa de uma malformação durante a gravidez, ou nascimento prematuro”. Traz conseqüências entre os esposos ou futuros esposos: “Antes do matrimônio: muitos jovens perdem a estima pela jovem que abortou, diminuindo a possibilidade de casamento. Depois do casamento: hostilidade do marido contra a mulher, se não foi consultado sobre o aborto; hostilidade da mulher contra o marido, se foi obrigada a abortar”. Traz conseqüências sobre a sociedade em geral: “1. Sobrecarga fiscal sobre os cidadãos que pagam impostos: - aborto pago pela previdência social; - preço pago por crianças que nascem com defeitos em conseqüência de abortos provocados. 2. Relaxamento das responsabilidades específicas da paternidade e da maternidade; ... 3. Tendência ao aumento de todo tipo de violência, sobretudo contra os mais fracos. Conseqüência: infanticídio e eutanásia. 4. Aumento das doenças psicológicas no âmbito de um setor importante para a sociedade, particularmente entre as mulheres de idade madura e entre os jovens. 5. Aumento considerável do número de pessoas com defeitos físicos ou psíquicos, com todas as conseqüências que isso significa para a sociedade em geral ...”.
  8. A legalização (da “interrupção da gravidez”) tenderá a elevar ainda mais os casos de aborto. Conforme alguns estudos realizados, em países como a Espanha, Rússia e vários outros que legalizaram a prática do aborto, o número de casos praticados aumentou consideravelmente . Legalizar o aborto somente vai facilitar a sua prática. Com isso, a prática do aborto tenderá a aumentar ainda mais.
  9. Não acreditamos que a mulher, nem qualquer pessoa, alcançará maior dignidade ou felicidade se incentivarmos ou autorizarmos que ela mate o próprio filho que já foi concebido e está sendo gerado em seu útero. Todos sabemos que para uma pessoa, equipe, projeto ou empreendimento ter sucesso a médio e longo prazo é preciso haver, no mínimo, conhecimento, planejamento e responsabilidade. Sabemos que liberdade sem responsabilidade é libertinagem. Não podemos ficar em silêncio diante da possibilidade de que a vida humana seja banalizada a ponto de se tolerar que cidadãos comuns passem a se tornar assassinos (de inocentes, com o requinte de crueldade, onde a vítima é inocente, indefesa e os autores do crime são quem mais deveriam amá-la: seus progenitores e um profissional que jurou defender a vida: o médico); não podemos ficar em silêncio diante da possibilidade de que cidadãos de bem passem a se tornar “agentes da morte a título de resolver problemas com profunda conotação social, solucionáveis com educação, melhora das condições de vida e reforço dos valores familiares”. Não há como existir uma sociedade digna e justa onde as pessoas só têm direitos, mas não têm obrigações nem responsabilidades. Uma sociedade onde exista mais justiça, liberdade, amor e dignidade da pessoa humana só existirá se existir uma boa educação, observância dos valores morais e éticos, responsabilidade e respeito ao direito do outro ser humano, ainda que se trate de um ser humano nos primeiros estágios da sua vida.

“Não matarás” (Ex 20,13). “Esta é vontade de Deus: a vossa santificação” (1 Ts, 4, 3).

Sabemos que iniciativas em favor da vida, da justiça, da moral e da ética transcendem a qualquer convicção política, partidária ou religiosa, razão pela qual, cordialmente, solicitamos a vossa cooperação e a união de esforços para que os projetos de lei que tratam da legalização do aborto jamais sejam aprovados no Brasil. (Obs.: Uma das formas de cooperar com esse ideal pode ser a divulgação ampla deste Manifesto).

Respeitosamente,

Marcos Volcan
Presidente da Renovação Carismática Católica do Brasil

Vagner Aparecido Alves de Lábio
Coordenador Diocesano da RCC - Toledo/PR

 

Maria Dilonê Pizzato e Celito Pizzato

Casal responsável - Equipes de Nossa Senhora - Setor Toledo - PR

Movimento dos Focolares do Setor Toledo - PR

D. Francisco Carlos Bach
Bispo da Diocese de Toledo - PR

Adriana Cristina Debona
Coordenadora da Pastoral da Juventude do Decanato de Toledo - PR

Ierecê Gilberto
Coordenadora Nacional do Ministério Universidades Renovadas - Brasil

Graciela Freitas Simon Sola
Coordenadora Estadual do Ministério Universidades Renovadas - Paraná

Renato Augusto Eidt
Coordenador Diocesano do Ministério Universidades Renovadas - Toledo - PR

Luiz Henrique Dezen Ramos
Secretário da Associação Cristo Rei

Bruno Schroeder
Diretor do Instituto Juventude Pela Vida

www.juventudepelavida.com.br
E-mail para contatos: rcctoledo@hotmail.com

www.universidadesrenovadas.com

 

Cura atravéz da renuncia

Autor : Celestino José Ziener - Pregador da RCC da Diocese de Blumenau, grupo "Sagrado Coração de Jesus"

Nesta pregação, vamos conhecer alguns passos sobre a contaminação espiritual.

No sermão da montanha, JESUS vai dizer: Não podeis servir a dois senhores, ou serviras a um ou desprezaras a outro.

   Logo no terceiro livro da Bíblia em Levítico 19.2 ao 18, DEUS fala a Moisés e a toda assembléia de Israel o seguinte: Sede santo como eu o senhor vosso DEUS sou santo. Em cada citação até o vers.18 DEUS fala: Eu sou o senhor teu DEUS.

   Sede santo também quer dizer: separado ou escolhido.

   Nós sabemos que a contaminação espiritual, se da quando buscamos os caminhos errados no pecado.

    Em Levítico 19-vers 31 DEUS fala assim, não vos dirijais aos espíritas, nem aos adivinhos não consulteis, para que não sejais contaminados, porque eu sou o senhor teu DEUS.

   Deus está dizendo não vos contamineis. Assim como uma penetração sexual contamina, se a pessoa estiver com HIV. Uma pessoa com tuberculose também contamina. Ou também uma transfusão de sangue , também poderá contaminar.

   Deus continua dizendo, não vos dirijais aos espíritas, aos adivinhos, podemos enumerar, Pai do Santo, Mãe do Santo, Pessoas que lêem horóscopo, pessoas que fazem mapas astrais, médiuns, cartomantes. Não consulteis, para que não sejais contaminado. Porque DEUS fala não consulteis, porque estas pessoas querem se colocar no lugar de DEUS.

As pessoas às vezes nos perguntam se macumba pega? È claro que pega. È o mesmo que beber um copo com veneno sem saber, o efeito que causa é o mesmo.

   Nestes lugares é onde a contaminação espiritual acontece sem nós percebermos. E quando percebemos, já estamos contaminados, e também contaminam os que estão próximos a nós.

   Será que percebemos aonde muitos de nós acabamos nos metendo. Mesmo acreditando ou não. Porque o encardido é esperto, ele usa de todas as artimanhas possíveis e imagináveis, para nos enganar.

   Até mesmo a superstição. O dicionário nos diz sobre a superstição: Leva-nos ao comprimento de falsos deveres, presságios infundidos, crendice ou fanatismo. Por esta palavra podemos perceber como está enraizada a crendice popular. Como astrologia, horóscopo ou signo. Porque tantas pessoas vão buscar mapas astrais, ou ainda ler o seu horóscopo todo dia.

   Isto também é contaminação espiritual. DEUS continua dizendo: Não consulteis para que não sejais contaminados.

   Outra forma de contaminação é quando chega o fim do ano, como natal e ano novo. Época tão linda. Natal quer dizer, o nascimento do menino JESUS. Aonde todos os lugares como: ruas, cidades, lojas, casas, prédios, empresas são enfeitadas.

   Roupa nova, descanso, família, passeio, reconciliar-se, perdoar a quem nos ofendeu durante o ano inteiro, tudo isso é necessário. Se não fosse o tal do consumismo. A comilança, as bebedeiras as depravações. Mas o pior ainda vem quando chega o ultimo dia do ano.

   As superstições como usar roupas brancas, amarela, verde ou vermelha para dar sorte, trazer amor, trazer dinheiro, ou ainda ir a praia e dar três pulinhos na onda do mar, jogar flores a iemanjá que não é nossa senhora, jogar champanhe bebidas em geral ou ainda comer carne de porco porque o porco fuça para frente, não comer carne de galinha porque cisca para trás, usar pé de coelho ou trevo de quatro folhas, isso tudo é superstição. Posso afirmar com todas as letras, é contaminação espiritual.

   Podemos até encaixar superstição no cap.19 de Levítico vers. 31 aonde diz: não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos e as superstições, para que não sejais contaminados. Porque DEUS nos diz. Eu sou o Senhor teu DEUS. O mundo vive daquilo que vende, o comércio vive do natal, páscoa, dia das mães, dia das crianças. E nós do que vivemos? Será que é do ter, do poder, e do ser? Ou será que busquem a DEUS em primeiro lugar, acima de todas as coisas, ou será que só busquemos a DEUS quando estamos doentes. A que ponto chega o ser humano.

   Se nós queremos nos ver livres de toda a contaminação espiritual, temos que fazer a parte que cabe a cada um de nós que é: RENUNCIA.

Renunciar a todas essas coisas como: espiritismo, macumba, quimbanda, umbanda, mesa branca, adivinho médiuns, cartomante, falsas doutrinas.

   Pedir para DEUS eu... diga o seu nome renuncio a todas essas coisas erradas que fiz. Eu perdôo todas as pessoas que me ofenderam, como quero que tu me perdoes. Mas não é simplesmente pedir é pedir com fé, e pedir com confiança, é pedir com a certeza de que DEUS vai ouvir a nossa voz, ou melhor, já está nos ouvindo. E o próximo passo é buscar uma confissão verdadeira. E não adianta dizer que o padre é mais pecador que cada um de nós. Porque os erros dele, ele deverá acertar com DEUS. Más o importante é quando ele diz, eu te absorvo de todos os teus pecados, isto basta.

   Após a renuncia, a confissão e o reconhecimento dos seus erros são: participar da Santa Missa, e buscar a eucaristia.

   Meu amigo (a), meu irmão (a), você que nos acompanha neste site, sede Santo com o DEUS é Santo. Que a paz do DEUS todo poderoso esteja convosco. Que o amor da mãe de JESUS, nossa padroeira esteja com todos vocês. Amém, gloria ao pai, ao filho, e ao espírito santo, Amém.

A única Igreja de Jesus Cristo


Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 293 – Ano 1986 – Pág. 458.

A ÚNICA IGREJA DE JESUS CRISTO

Este artigo se deve a D. Boaventura Kloppenburg O.F.M., Bispo Auxiliar de Novo Hamburgo (RS), que, com grande acume teológico, estuda certo relativismo eclesiológico que vai sendo difundido em nossos dias. Com efeito, segundo alguns, as diversas denominações cristãs seriam equivalentes entre si, de modo que ser católico, ser batista, ser presbiteriano, ser pentecostal... não faria diferença diante de Deus. Segundo outros, nenhuma denominação cristã preenche todas as exigências da Igreja que Cristo quis fundar, de modo que esta só se realizará no fim dos tempos. Como fundamento destas proposições errôneas, muitos invocavam dizeres do Concílio do Vaticano II: “A Igreja de Jesus Cristo subsiste na Igreja Católica, Apostólica confiada a Pedro”. Ora Frei Boaventura, como teólogo perito (expert) do Concílio do Vaticano II, explica o autêntico sentido de tal passagem do Concílio: este quis afirmar que a Igreja Universal, confiada a Pedro, preenche todos os requisitos da Igreja fundada por Cristo, ao passo que as outras denominações cristãs só satisfazem alguns (ora mais, ora menos numerosos) desses requisitos.

Agradecemos a D. Boaventura a valiosa colaboração.

1. O problema

“Até agora estávamos acostumados a nos considerar com a Igreja, única e verdadeira herança do legado apostólico da fé cristã”, acusa o Pe. Paulo Homero Gozzi, S.S.S., na revista Vida Pastoral, de julho-agosto de 1986, página 2. Tal modo de ver, porém, garante, já não seria a doutrina oficial da Igreja Católica desde o Concílio Vaticano II. Cita então o texto de um ante-projeto de documento sobre a Igreja apresentado ao Concílio em 1962, no qual se ensinava que somente a Igreja Católica é a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Mas este texto, informa, “foi totalmente rejeitado pelos Bispos”, e “o que não se conseguiu mudar em quinhentos anos, alterou-se completamente em apenas dois anos de debates”. A doutrina certa do Vaticano II agora seria esta: “A Igreja de Cristo não é mais a Igreja Romana, nem se identifica mais com ela pura e simplesmente, mas subsiste nela”. Depois explica: “O Concílio reconhece e admite que pertencem à única, verdadeira e indivisível Igreja de Cristo todos os batizados que professam a verdade do Deus Trino e confessam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias (Decreto sobre o Ecumenismo, UR 1). Isto porque nasceu também uma nova consciência da fundação da Igreja e da entrega de seu governo ante-projeto rejeitado, mas sobre o Apóstolos e seus sucessores. O papel de Pedro é coordenar o grupo de seus irmãos Apóstolos para mantê-lo unido (cf. Constituição sobre a Igreja Lumen Gentium, III, n. 18)”.

Assim manipula-se o Concílio. O que lhe é atribuído no número 1 do Decreto sobre o Ecumenismo, lá não está. Se estivesse, seria realmente doutrina inaudita. O documento, na alínea 2 do citado número 1, fala não da Igreja, mas do movimento ecumênico, afirmando então que deste movimento participam “os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como Senhor e Salvador, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias”. O articulista simplesmente trunca o texto do Vaticano II. E o que afirma com base no número 18 da Lumen Gentium (LG), também se distancia da doutrina do Concílio. No citado número 18, alínea segunda, o Vaticano I sobre a instituição, perpeitude , poder a natureza do sacro Primado do Romano Pontífice, propondo-a “novamente para ser criada firmemente por todos os fiéis”. Deste contexto conclui o autor que o governo da Igreja não mais repousa sobre Pedro e seus sucessores, mas sobre os Apóstolos e seus sucessores! O papel de Pedro seria apenas o de “coordenar o grupo de seus irmãos Apóstolos para mantê-lo unido”. Na realidade, a doutrina sobre o Primado de jurisdição, explicitamente reafirmada pelo Vaticano II, vai muito além da mera função de coordenação. Definiu o Vaticano I que ao Sucessor de Pedro não cabe apenas a tarefa de inspeção ou direção, e sim “o pleno poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja universal” (Dz 1831). Sem limite de tempo, pessoa, lugar e coisas, seu poder se estende individualmente ou coletivamente sobre todos os fiéis, todos os pastores todos os ritos, em questões de doutrina da fé, de moral, de governo, de liturgia, de costumes (Dz 1827). E o Vaticano II, na Lumen Gentium, n. 22b insiste neste ensinamento: “O Colégio ou o Corpo episcopal não tem autoridade se nele não se considerar incluído, como cabeça, o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e permanecer intacto o poder primacial do Papa sobre todos, quer Pastores quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode sempre livremente exercer este seu poder”.

Nem é verdade que aquele texto provisório apresentado em 1962 ao Concílio “foi totalmente rejeitado pelos Bispos”, pelo simples fato de jamais Ter sido objeto de votação.

Mais desconcertante, todavia, é a conclusão que o articulista da Vida Pastoral tira da substituição do verbo “est” (é) pelo verbo “subsistit in” no atual número 8, segunda alínea, da Lumen Gentium: “A Igreja de Cristo não é mais a Igreja Romana, nem se identifica mais com ela pura e simplesmente, mas subsiste nela”. Também o Sr. Luiz Carlos Araújo, Profecia e Poder na Igreja (Paulinas 1986) argumenta com o “subsisti in”, para inferir que “todas as Igrejas cristãs estão sendo, em graus diferentes, a Igreja de Cristo” (p. 21). Já antes, em Igreja: Carisma e Poder (Petrópolis 1982), Frei Leonardo Boff, O.F.M., se baseara no mesmo “subsistit in” para deduzir que a Igreja de Cristo” pode subsistir também em outras Igrejas cristãs” (p. 125). Nega-se assim a doutrina de fé sobre a unicidade da Igreja de Cristo.

2. Que ocorreu de fato no Concílio?

Na Comissão de Doutrina, na qual eu estava presente na qualidade de “peritus”, encarregada da redação do texto sobre a Igreja, discutia-se a segunda alínea do número 8. Nela se ensinava que a única Igreja de Jesus Cristo, que no Símbolo confessamos una, santa, católica e apostólica e que nosso Salvador, depois de sua gloriosa ressurreição, entregou a Pedro para a apascentar e confiou a ele aos demais Apóstolos para a propagar e reger, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, “é a Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, embora fora de sua visível estrutura se encontrem vários elementos de santificação e verdade”. Após demorado debate, do qual participei pessoalmente, o “este” foi substituído por “subsistit in”. Todo o resto do texto ficou exatamente como estava e ainda hoje está. Por que se fez a mudança? Na relação oficial, a Comissão explica que com este verbo o texto se adaptou melhor à afirmação acerca dos “elementos eclesiais de santificação e verdade” presentes também em outras denominações cristãs, algumas das quais, como as orientais, sempre foram consideradas até mesmo como “Igrejas” (a locução “Igrejas Orientais” não foi inventada pelo Vaticano II): “ut expressio melius concordet cum affirmatione de elementis ecclesiasticis quae alibi adsunt” (este grifo está no original).

Era, pois, intenção do Concílio Vaticano II ensinar que a una e única Igreja, como Jesus Cristo a quis e fundou, existe historicamente e como tal é hoje cognoscível; e que sua forma existencial concreta é a Igreja que está sendo dirigida pelo Sucessor de Pedro. Ao mesmo tempo, porém, reconhecida que vários elementos (“plura elementa”) eclesiais queridos por Cristo estão presentes (“adsunt”) em Igrejas e Comunidades separadas de Roma. Isto é: a “eclesialidade” não se identifica sem mais (“est”) com a Igreja Católica, mas incompletamente ou imperfeitamente ((segundo o maior ou menor número de elementos eclesiais presentes); ela, a eclesialidade, se encontra outrossim nas Igrejas ou Comunidades separadas. Num voto modificativo (o “placet iuxta modum”) 19 votantes sugeriram então que se dissesse “subsistit integro modo in”, isto é, a Igreja de Jesus Cristo se realiza de modo completo, perfeito ou pleno na Igreja Católica, insinuando que ela se realiza nas outras denominações de modo não perfeito ou pleno. A Comissão respondeu que tal doutrina se encontra mais adiante, no número 14. Veja-se sobre isso meu estudo A Eclesiologia do Vaticano II, pp. 59-64, livro que a Editora Vozes retirou do comércio.

Esta, pois, é a doutrina clara e firme do Concílio Vaticano II: “Unicamente por meio da Igreja Católica, que é o auxílio geral da salvação, se pode conseguir a total plenitude dos meios de salvação. Cremos que o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança a um único Colégio apostólico, a cuja testa está Pedro, a fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo, ao qual é necessário que se incorporem plenamente todos os que de algum modo pertencem ao Povo de Deus” (UR 3e.).

3. Documentos complementares

Quando Leonardo Boff, no citado livro, concluiu do “subsistit in” que a Igreja de Cristo” pode subsistir também em outras Igrejas cristãs”, um documento especial de Santa Sé sobre aquele livro (Notificação da Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-03-1985) rejeitou semelhante exegese conciliar como “exatamente contrária à significação autêntica do texto conciliar”. E a Notificação sobre o livro de Leonardo Boff explica: “O Concílio tinha escolhido a palavra subsistit exatamente para esclarecer que há uma única subsistência da verdadeira Igreja, enquanto fora de sua estrutura visível existem somente elementa Ecclesiae, que – por serem elementos da mesma Igreja – tendem e conduzem em direção à Igreja Católica”. E manda ver a Declaração Mysterium Ecclesiae, de 24-06-1973, na qual se reafirmava:

“Os católicos têm o dever de professar que, por misericordioso dom divino, pertencem à Igreja que Cristo fundou e que é dirigida pelos sucessores de Pedro e dos demais Apóstolos, nos quais persiste íntegra e viva a primigênia instituição e a doutrina da comunidade apostólica e o patrimônio perene da verdade e a santidade da mesma Igreja. Por isso não é lícito aos fiéis imaginar que a Igreja de Cristo seja simplesmente um conjunto – sem dúvida dividido, apesar de conservar ainda alguma unidade – de Igrejas e comunidades eclesiais; e de nenhuma maneira são livres para opinar que a Igreja não exista mais hoje em lugar nenhum, de forma que se deva considerá-la como uma meta a ser procurada por todas as Igrejas e comunidades”.

Pois, como ensina o Concílio, a Igreja, de fato, se encontra plenamente lá onde os sucessores de Pedro e dos outros Apóstolos realizam visivelmente a continuidade com as origens (LG 8b); e a unidade, que é um dom de Deus, de fato foi dada a esta Igreja “e nós cremos que ela subsiste inamissível na Igreja Católica” (UR 4c), cotada “de toda a verdade revelada por Deus e de todos os meios da graça” (ib 4f). E o Concílio Vaticano II é categórico quando assevera: “Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus mediante Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar perseverar” (LG 14a). Mais severo ainda, adverte: “Não se salva contudo, embora incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja “com o corpo; mas não com o coração”. Lembrem-se todos os filhos da Igreja de que a condição exímia em que estão se deve não a seus próprios méritos, mas a uma peculiar graça de Cristo. Se a ela não corresponderem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade” (LG 14b).

Em documento de outra natureza, a Declaração Dignitatis humanae, sobre a Liberdade Religiosa, o Concílio não é menos claro, porém mais positivo: “Professa em primeiro lugar o Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao gênero humano o caminho pelo qual os homens, servindo a Ele, pudessem salvar-se e tornar-se felizes em Cristo. Cremos que esta única verdadeira Religião se encontra (subsistere) na Igreja Católica e Apostólica” (n. 1b).

A Pontifícia Comissão Teológica Internacional publicou no ano passado Temas Seletos de Eclesiologia (veja-se o texto completo português em SEDOC de abril de 1986, 921-966), dedicando o décimo capítulo ao tema da unicidade da Igreja. Sua conclusão é esta: “De nossa análise consta que a autêntica Igreja não pode ser entendida como uma utopia que visaria a atingir todas as comunidades cristãs hoje divididas e separadas. A verdadeira Igreja, bem como sua unidade, não são exclusivamente uma realidade futura. Elas já se encontram na Igreja Católica, na qual está realmente presente a Igreja de Cristo”.

4. Conclusão

A doutrina oficial da Igreja, por conseguinte, é sem dúvida esta: a única Igreja de Jesus Cristo de fato subsiste de modo pleno somente na Igreja Católica; nas outras Igrejas ou Comunidades separadas da Sé Apostólica de Pedro, ela subsiste apenas parcialmente, em diferentes graus de perfeição, segundo o maior ou menor número de elementos eclesiais substanciais nelas presentes.

E porque a Igreja de Jesus Cristo é uma só, a que foi edificada sobre Pedro e que o próprio Salvador denomina “minha Igreja” (Mt 16, 18), e unicamente nela se encontra a plenitude dos meios de salvação e santificação, exorta o Documento de Puebla no. N. 225: “Temos o dever de proclamar a excelência de nossa vocação à Igreja Católica”, já que, como ensina belamente no n. 227, ela “é o lugar onde se concentra ao máximo a ação do Pai, que na força do Espírito de amor, busca solícito os homens para partilhar com eles – em gestos de indizível ternura – sua própria vida trinitária”.

Nossa abertura ao diálogo ecumênico não deve ser motivo para atenuar a clareza e a firmeza de nossa fé católica. Ainda neste ponto o Concílio Vaticano II é firme quando nos dá a seguinte regra: “É absolutamente necessário que a doutrina inteira seja lucidamente exposta. Nada é tão alheio ao ecumenismo quanto aquele falso irenismo, pelo qual a pureza da doutrina católica sofre detrimento e seu sentido genuíno e certo é obscurecido” (UR 11).
As Testemunhas de Jeová e a Bíblia


Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb.
Nº 307 – Ano 1987 – Pág. 539.

Em síntese: As Testemunhas de Jeová apregoam o próximo fim do mundo dominado pela Serpente ou por Satanás. Dando preponderância ao Antigo Testamento sobre o Novo, negam a Divindade de Cristo e o mistério da SS. Trindade, o que faz que já não possam ser considerados cristãos. A sua mensagem se prende à interpretação singular e arbitrária que fazem das Escrituras Sagradas; violentando o texto, apresentam uma tradução da Bíblia que não corresponde à dos Protestantes e, muito menos, à dos Católicos. Especialmente estranha é a introdução do nome Jeová nos livros do Novo Testamento, escritos em grego; Jeová também não se encontra no texto hebraico do Antigo Testamento, mas resulta da combinação das consoantes J H W H com as vogais de A D O N A Y (meu Senhor) feita pelos judeus medievais.

É notícia a propaganda que fazem de suas idéias as Testemunhas de Jeová, das quais dão freqüentes notícias os jornais e revistas. Verifica-se, porém, que a maioria da população está pouco informada a respeito do que tal corrente professa e significa na sociedade contemporânea. Eis por que passamos a apresentar um pouco da história dessa denominação e a maneira como trata a Bíblia, pois este ponto é altamente significativo para se conhecer a índole das Testemunhas.

1. Esboço histórico

O jeovismo (como o chamam alguns estudiosos) teve origem nos Estados Unidos da América por obra de Charles Taze Russell (1852-1916). Era filho de um comerciante de Allegheny (Pennsylvania). Pouco depois dos quinze anos entrou em crise religiosa por causa das doutrinas da punição eterna e da predestinação. Superou a problemática lendo intensamente a Bíblia; sem outro preparo, com dezoito anos de idade reuniu amigos para a leitura semanal da Bíblia (de 1870 a 75). Foi-se aproximando aos poucos da corrente adventista, que havia fixado a data do fim do mundo para 1844. Em 1877, Russell escreveu o livro “Três mundos e a messe deste mundo”, em que afirmava: em 1874 Cristo voltou invisivelmente à Terra; levará para o paraíso os seguidores de Russell em 1914, ou seja, quarenta anos mais tarde. Este anúncio encontrou ressonância positiva em muitos admiradores de Russell. Entrementes, porém, o mestre esteve envolvido em problemas sociais diversos, como reconheciam os seus próprios discípulos: separou-se da esposa após dezoito anos de vida conjugal; vendeu sementes de trigo comuns como sendo grão milagroso, que valia um preço mais elevado do que o comum. Foi acusado de imoralidade, coisa de que o defenderam os seus discípulos.

Passou-se o ano de 1914 sem que Russell visse o cumprimento de sua “profecia”. Morreu em 1916, com 64 anos de idade.

Os seus seguidores, chamados “Sérios Estudiosos da Bíblia” ou “Russellianos”, perplexos com a não verificação dos dizeres do mestre, dividiram-se em diversos grupos, ficando à frente de um destes Joseph Franklin Rutherford (1869-1942).

Este novo mestre refez os cálculos para a segunda vinda de Cristo, estipulando os anos de 1918 e, depois, 1925. Introduziu várias mudanças na sua congregação: abolição da cruz de dois braços, extinção de todas as festas clássicas (Natal, Epifania, Páscoa...); direcionamento para Jeová, que desviou a seita da sua linha cristã (a 1º/03/1939 a revista jeovista “Torre de Vigia” substituiu o seu sub-título “Arauto da Presença de Cristo” por “mensageiro do Reino de Jeová”!). Aos 26/07/1931, Rutherford deu aos seus seguidores o nome de “Testemunhas de Jeová”, aos quais ele impunha direção fortemente autoritária.

O sucessor foi Nathan Homer Knorr (1915-1977), desde 1942. Formou emissários da doutrina jeovista de tempo integral; proibiu as transfusões de sangue em 1944/5, e profetizou o fim do mundo para 1975, valendo-se, como os seus antecessores, de textos bíblicos (especialmente de Daniel). Também morreu sem ver cumprida a sua predição.

Depois de Knorr, a direção suprema passou para Frederick W. Franz. Este continuou a incutir a iminência da consumação da história, mas sem definição de data precisa.

As Testemunhas são fervorosos mensageiros de catástrofes, que se devem desencadear sobre o mundo sujeito à Serpente ou a Satanás. O seu pessimismo leva-os a rejeitar até mesmo instituições de ordem social, como o serviço militar, a celebração de aniversários natalícios, o dia das Mães, o dos Pais, a antiga Liga das Nações, etc. – É o que torna tal corrente fanática e infensa aos que não compartilham suas idéias.

A organização das Testemunhas é assaz autoritária, como dito. Compreende: 1) o Corpo de Direção, ou seja, o Presidente e quinze e dezoito assessores, que gozam de amplos poderes. Seguem-se 2) as Sedes Filiais, que zelam pela execução das diretrizes gerais em cada nação ou em amplos territórios; são chefiadas por equipes de três a sete pessoas. As Filiais se subdividem em 3) Distritos. Estes, por sua vez, compreendem 4) Circunscrições, que constam de 5) Congregações (o eqüivalente de paróquias). Cada Congregação tem seu Salão do Reino, que não é chamado “igreja”. Cada Congregação, a seu turno, consta de áreas, que as Testemunhas costumam percorrer, passando de casa em casa, com a sua Bíblia e seus livros doutrinários. A Congregação é dirigida por Anciãos.

Duas são as revistas editadas pelas Testemunhas nos Estados Unidos (Brooklyn) em várias línguas: “Torre de Vigia” e “Despertai!”. Isto faz que a doutrina das Testemunhas seja uniforme; nas sessões de doutrinação, os novatos aprendem a responder exatamente a perguntas clássicas que os mestres lhes fazem; quem destoa da forma oficial de responder ou de proclamar a mensagem, é desligado da Congregação.

As Testemunhas refizeram a tradução da Bíblia para seu uso, a fim de torná-la esteio (ao menos, aparente) das suas proposições doutrinárias. Este traço é típico de tal denominação. Embora digam que seguem os originais hebraico e grego, qualquer estudioso que se aprofunde no assunto, pode verificar que o texto crítico original da Bíblia não fundamenta a versão das Testemunhas; para o comprovar, basta lembrar que nenhuma denominação protestante (e muito menos a Igreja Católica) traduz como as Testemunhas traduzem; estas, nos últimos decênios, terão descoberto o verdadeiro sentido das Escrituras, que os estudiosos de dezenove séculos (católicos e não católicos) nunca perceberam!

Eis como os fatos se apresentam.

2. A tradução Bíblica das Testemunhas

A tradução da Bíblia editada pelo jeovismo tem por título “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Tradução da versão inglesa de 1961 mediante consulta constante ao antigo texto hebraico, aramaico e grego”. Além do texto sagrado, apresenta o que se chama geralmente “Chave Bíblica” (ocorrências de certos vocábulos nas Escrituras) e dois Apêndices, que reúnem citações atinentes aos termos nefesh (alma, segundo as Testemunhas) e Jeová, palavras-chaves para o jeovismo.

Eis alguns exemplos de falta tradução do texto bíblico:

2.1. Jeová

Nenhum manuscrito grego apresenta a palavra Jeova¹, que nem sequer se encontra no texto hebraico, como diremos a seguir. Não obstante, Jeová aparece no texto português de Mt 1,20.22..24; 2,13.15.19; 3,3; 4,4.7.10; 5,33... A lista continua até Ap 22,6.

Ora este fato é verdadeira aberração lingüística. Com efeito. O nome Jehveh é o nome revelado por Deus a Moisés, conforme Ex 3,14s. Tornou-se muito freqüente no Antigo Testamento, onde ocorre 6.820 vezes, não, porém, no Cântico dos Cânticos, nem em Ester, nem no Eclesiastes. – Os hebreus só escreviam as consoantes J H V H, suprindo mentalmente as vogais a e. Após o exílio (587-538 a.C.), porém, os judeus tendiam sempre mais a não pronunciar o santo nome de Deus, a fim de não correr o risco de o profanar; quando, pois, encontravam as quatro consoantes sagradas, pronunciavam Adonay (meu Senhor). Ora, nos séculos VI e seguintes após Cristo, os massoretas (rabinos judeus) quiseram colocar as vogais por escrito no texto bíblico; mas ao nome de J H V H não deram vogais, apenas escreviam na sua proximidade as vogais de A D O N A Y, a saber: a mudo (com pronúncia de e), o e a². Donde se fez Jehovah. Vê-se, pois, que o nome Jeová nem sequer está na Bíblia, mas resulta da combinação, feita pelos judeus medievais, dos nomes Jahveh e Adonay.

2.2. A Santíssima Trindade

As Testemunhas não interpretam o Antigo Testamento à luz do Novo Testamento, o que contraria a toda a tradição cristã, que diz: “O Antigo Testamento está patente no Novo, e o Novo está latente no Antigo”. O próprio texto bíblico em Hb 1,3s nos diz que Deus falou outrora muitas vezes de vários modos aos Pais pelos Profetas, mas nos últimos tempos nos falou pelo Filho, que é a sua própria Palavra (Jo 1,1..14). Também nos diz que Cristo é o Fim ou o ponto de chegada da Lei de Moisés (Rm 10,4).

Em vez de dar preponderância ao Novo Testamento, as Testemunhas subordinam-no ao Antigo. Por isto não aceitam o mistério da SS. Trindade; negam, pois, a Divindade de Jesus Cristo (= Deus feito homem) e a do Espírito Santo. Em conseqüência, infligem violência a alguns textos do Novo Testamento, a saber:

2Cor 13,13: o texto original diz: “A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”. As Testemunhas, porém, traduzem: “A benignidade imerecida do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus e a participação no espírito santo sejam com todos vós”. Escrevendo “espírito santo” com letras minúsculas (como sempre fazem), os jeovistas querem insinuar que ele não é a terceira Pessoa da SS. Trindade.

Quanto à segunda Pessoa, também não é reconhecida como Deus, conforme se vê a seguir.

2.3. Jesus Cristo

Cl 2,9: “Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da Divindade”. Este texto é traduzido por: “Em Cristo mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina”. Ora em grego theótes é a Divindade ou a natureza de Deus.

Hb 1,8: “Ao Filho diz: “O teu trono, ó Deus, é para os séculos”. As Testemunhas lêem: “Com referência ao Filho: “Deus é o teu trono para sempre”. Assim a palavra Deus já não se refere a Jesus Cristo, mas ao Pai.

Em Cl 1,16s o texto jeovista acrescenta entre colchetes o adjetivo outras para insinuar que o Cristo também é uma criatura, a primeira criatura. Assim, pois, lêem eles:

“Mediante ele foram criadas todas as [outras] coisas nos céus e na terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis, quer sejam tronos, quer sejam senhorios... Todas as [outras] coisas foram criadas por intermédio dele e para ele. Também ele é antes de todas as [outras] coisas e todas as [outras] coisas vieram a existir por meio dele”.

Para as Testemunhas de Jeová, Jesus não é mais do que um homem, o segundo Adão, que teve por papel realizar positivamente o que o primeiro fizera negativamente; assim Jesus terá restituído à humanidade o paraíso terrestre (entendido física e geograficamente), que o primeiro Adão perdeu.

Conforme o jeovismo, Deus criou primeiramente Jesus e serviu-se deste para criar as outras criaturas ou o mundo angélico, humano, infra-humano. Mais exatamente: antes de criar o mundo, Deus criou dois filhos – Jesus (que tinha o nome de Miguel Arcanjo) e Lucífero. Este pecou e induziu o homem ao pecado, tornando-se o Príncipe deste mundo. Jesus na terra era apenas o representante de Deus, que veio dizer Sim ao Eterno, em reparação do Não que lhe dissera Adão.

Para firmar sua posição, as Testemunhas se valem de textos bíblicos, entre os quais

Jo 14,28: “O Pai é maior do que eu”. Na verdade, Jesus aqui fala de si como homem ou como Messias, tanto que a frase citada começa pelas palavras: “Vou para o Pai porque o Pai é maior do que eu”. Aliás, no começo do mesmo capítulo 14 de João, Jesus se apresentara como Deus: “Filipe, quem me viu, viu o Pai... Não crês que eu estou no Pai e o Pai está em mim?... O Pai que está em mim, realiza as suas obras... Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (Jo 14,9-11).

Mc 14,32: “A respeito do dia e da hora... ninguém sabe, nem o Filho, mas somente o Pai”. – Jesus, neste caso, fala como homem e Messias: não estava em sua missão de Messias revelar aos homens o dia e a hora do juízo final. Jesus mesmo disse: “Não compete a vós saber os tempos e os momentos que o Pai dispôs em seu poder” (At 1,7).

1Cor 15,28: “E, quando tudo lhe estiver submetido, também o Filho se submeterá Àquele que tudo lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos”. - De novo, a submissão mencionada é a do Messias; no fim dos tempos terá encerrado a sua obra messiânica e a entregará ao Pai consumada. “Para que Deus seja tudo em todos” não exclui que Jesus seja Senhor e Rei para sempre. Com efeito; lemos em Ef 5,5: “... no reino de Deus e de Cristo” e em 2Pd 1,11: “... o reino de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.

2.4. Eucaristia

Em Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19s; 1Cor 11,23-25 as Testemunhas lêem: “Tomai, comei; isto significa meu corpo... Isto significa meu sangue do pacto”. Evidentemente tem-se aqui desvio do texto original, que diz, sem mais, esti (= é) e não semainei (= significa). Nem os protestantes, que não admitem a real presença de Cristo na Eucaristia, ousam retocar o texto bíblico a tal ponto; conservam os dizeres: “Isto é meu corpo... Isto é meu sangue”.

A Ceia do Senhor, entendida simbolicamente, deve ser celebrada uma vez por ano apenas, segundo as Testemunhas, que apelam para o uso da Páscoa judaica (Ex 12,14.18; Lv 23,4s). Esquecem que Jesus mandou repetir a Eucaristia em memória dele, e não da Páscoa judaica (Lc 22,19; 1Cor 11, 24-26) e que os primeiros discípulos eram assíduos na celebração da Eucaristia; cf. 2,42.

2.5. A cruz

As Testemunhas afirmam que a cruz é um símbolo pagão, que, por isto, deve ser eliminado da arte cristã. Jesus terá sido pregado a uma estaca, com as mãos transpassadas por um só prego. Em conseqüência, traduzem a palavra grega staurós (cruz) por “estaca, estaca de tortura”. Assim em Cl 1,20: “... fazer a paz, por intermédio do seu sangue na estaca de tortura”.

Gl 5,24: “Os que pertencem a Cristo Jesus, penduraram na estaca a carne com as suas paixões e desejos”.

Rm 6,6: “A nossa velha personalidade foi pendurada na estaca com ele”.

1Cor 1,17: “... a fim de que a estaca da tortura do Cristo não se torne inútil”.

O argumento segundo o qual a cruz era um instrumento usual entre os pagãos, nada prova, pois, na verdade, o Cristianismo, sendo a mensagem de Deus Encarnado, utilizou elementos humanos pré-cristãos para exprimir o que é de Deus: utilizou, sim, linguagem humana, carne humana, caminhos humanos, recursos humanos..., só não utilizou o pecado.

Objetam outrossim as Testemunhas que a palavra grega staurós significa originariamente um poste. – Respondemos que isto é verdade nos escritos de Homero, Esíquio e outros antigos. Mas é certo que passou a indicar duas traves (uma vertical e outra horizontal) atravessada uma na outra e que Jesus foi pregado não só a uma trave vertical, mas também à horizontal. Com efeito; tanto os escritores pagãos como os cristãos nos dão a conhecer a Cruz com duas traves usual no tempo de Cristo para punir os criminosos: havia uma trave vertical geralmente fixa ao solo, chamada stipes ou staticulum, e uma outra dita patibulum, que era fixada à anterior em sentido horizontal. O réu era preso à trave horizontal com os braços abertos e depois fixo ao poste vertical. Eis testemunhos significativos:

Plauto, poeta romano (+ 184 a. C.): “Patibulum ferat per urbem, deinde adfigitur cruci. – Carregue o patíbulo através da cidade; depois seja preso à cruz”.

Firmício Materno, retórico pagão feito cristão (séc. IV d.C.): “Patibulo suffixus, in crucem tollitur. – Pregado ao patíbulo, é erguido na cruz”.

A mais antiga representação da cruz de Cristo data do século II: no Palatino (Roma) se encontrou um grafito, que apresenta a Cruz com dois braços e um Crucificado com cabeça de asno, diante do qual se vê um indivíduo em adoração. – Uma inscrição explica: “Alexámenos venera o seu Deus”. – Este desenho bem ilustra como os antigos pensavam ter sido a Cruz de Cristo.

São Justino (+ 165 d. C..) observa que Moisés a orar com os braços estendidos (cf. Ex 17,10-12) era figura de Jesus intercedendo pela humanidade, pregado à Cruz (Diálogo com o judeu Trifão 90,4).

Tertuliano (+ 222 aproximadamente), autor cristão, diz que as aves com as asas abertas para voar significam a cruz de Cristo (De Oratione 29,4).

Todos estes testemunhos são anteriores ao Imperador Constantino (285-337), que, segundo as Testemunhas, terá introduzido a Cruz de dois braços na iconografia e na piedade cristãs.

2.6. Nefesh (= alma?)

As Testemunhas ensinam que a morte física destrói por completo a vida humana. Deus, porém, re-cria a vida dos justos, de modo que gozarão do paraíso, em lugar excelente, os 144.000 de que fala Ap 7, 1-8. Os pecadores que morram obstinados nas suas faltas, não terão o inferno, mas, simplesmente, serão aniquilados por Deus; assim em Ez 18,4, segundo os jeovistas: “A alma que peca, essa morrerá”. – O bom ladrão teria, sim, a recompensa, mas só depois de haver sido destruído e recriado por Deus; daí a tradução de Lc 23,43: “Deveras eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso”, terá dito Jesus ao bom ladrão – o que não corresponde ao modo geral de pontuar a frase: “Em verdade eu te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso”.

Para incutir a sua doutrina, as Testemunhas traduzem, sistematicamente, a palavra hebraica nefesh e a grega psyché por alma, de modo que, quando a Escritura diz que a nefesh ou a psyché morre, julgam que afirma a extinção do princípio vital ou da vida mesma do ser humano¹. Para tentar provar que têm razão, os jeovistas apresentam, no fim da sua Bíblia, um Apêndice ou uma longa série de citações escriturísticas, nas quais a palavra nefesh lhes parece significar alma: assim Gn 1,20s.24.30;2,19;5,1;2Rs 12,4; 1Cr 5,21; Sl 19,7 ... Disto resulta que Deus tem alma (1Sm 2,35; Pr 6,16; Is 1,14; 42,1...).

Ora quem abre qualquer Dicionário da Língua Hebraica, verifica que nefesh tem vários significados: hálito, garganta, avidez, alma, vida, o composto humano, e até cadáver... O mesmo se diga com relação ao vocábulo grego psyché.

Na verdade, já o Antigo Testamento afirma a sobrevivência de um núcleo da pessoa após a morte; era chamado refaim (sombras) e encontrava-se no cheol (lugar subterrâneo e tenebroso) adormecido ou inconsciente. Vejam-se, por exemplo, os seguintes textos:

Gn 15,15: “Quando a ti, em paz irás para os teus pais, serás sepultado numa velhice feliz”, diz Deus a Abraão;

Gn 25,8s: “Abraão expirou; morreu numa velhice feliz, idoso, e foi reunido à sua parentela. Isaac e Ismael, seus filhos, enterraram-no na gruta de Macpelá”.

Gn 35,29: “Isaac expirou. Morreu e reuniu-se à sua parentela...; seus filhos Esaú e Jacó o enterraram”.

Gn 49,39: “Quando Jacó acabou de dar suas instruções a seus filhos (= fosse sepultado em Macpelá, conforme o v. 29),... expirou e foi reunido aos seus”.

Em todos estes textos nota-se a distinção entre “reunir-se com os pais” e “ser sepultado”. Os cadáveres foram colocados na sepultura de Macpelá (que não era a sepultura dos antepassados de Abraão, filho da Mesopotâmia), ao passo que o cerne da pessoa (nefesh ou ruach) se reunia aos pais ou antenatos no cheol.

O cheol certamente não é o sepulcro, mas um imaginário lugar comum a todos os que deixam este mundo, conforme a concepção dos judeus antigos; vejam-se:

Gn 37,33.35: “Jacó disse: “É a túnica de meu filho! Um animal feroz o devorou. José foi despedaçado”... Ele recusou toda consolação e disse: “Não; é luto que descerei ao cheol para junto do meu filho”. – Se José havia sido devorado por uma fera, ele não teria sepultura; por conseguinte, o lugar onde Jacó esperava encontra-lo não era o sepulcro.

Jó 30,23: “Bem vejo que me levas à morte, ao lugar de encontro de todos os mortais”, disse Jó. Esse lugar de todos os mortais não pode ser a sepultura.

Nm 16,31-33: “O solo se fendeu sob os pés de Coré, Datã e abirã, a terra abriu a sua boca e os engoliu, eles e suas famílias, bem como todos os homens de Coré e todos os seus bens. Desceram vivos ao cheol, eles e tudo aquilo que lhes pertencia. A terra os recobriu e desapareceram do meio da assembléia”. – Vê-se que o cheol é tido como um lugar no profundo da terra, e não como uma sepultura.

2.7. Universalismo da salvação

Mt 28,19: “Ide, pois, e fazei discípulos todas as nações” é redigido pelas Testemunhas do seguinte modo: “Ide, pois, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações”. Tratar-se-ia de pessoas de cada nação, e não de todas as pessoas da terra. A razão da alteração realizada pelas Testemunhas é a seguinte: acreditam que apenas um pequeno número em cada país se salvará.

2.8. Desconsideração dos gêneros literários

A Linguagem humana de todos os tempos tem os seus gêneros literários ou suas maneiras de se exprimir: assim há um modo próprio de escrever uma carta, uma lei, uma poesia, uma página de história, um romance, uma parábola...

Cada gênero literário, assim como tem suas regras de redação próprias tem também suas regras de interpretação, de tal modo que não é lícito entender uma poesia como uma crônica, uma parábola como um romance, uma carta como uma lei... – Ora também na Bíblia há gêneros literários, que é preciso saber discernir a fim de não incidir em interpretações errôneas. Todavia as Testemunhas não levam em conta tal fato: tomam ao pé da letra e interpretam simbolicamente os textos sem proceder ao exame literário e lingüístico dos mesmos, mas, antes, atendendo às suas premissas doutrinárias.

São estes alguns pontos que, entre outros, exemplificam bem o uso arbitrário ou violento que as Testemunhas de Jeová fazem da Bíblia para disseminar uma doutrina que apavora as pessoas incautas ou despreparadas.

A propósito ver

E. BETTENCOURT, Diálogo Ecumênico. Ed. Lumen Christi, Caixa Postal 2666, 20001 Rio (RJ).

PR 221/1978, pp. 215-226;
157/1973, pp. 25-42.

¹ As Testemunhas dizem ter utilizado as edições críticas do Novo Testamento para fazer a sua tradução. Todavia quem consulta qualquer desses textos críticos (o de Westcott-Hort, o de Nestle, o de Bover, o de Merk, o de Kurt-Alland...) verifica que nenhum traz o vocábulo Jeová.

² Y em hebraico seria iod, uma semi-consoante, e não uma vogal (embora em português seja pronunciado como i).

¹ Eis o raciocínio das Testemunhas: Deus disse a Adão que ele havia de morrer (cf. Gn 3,19); ora Adão era uma nefesh (cf. Gn 2,7); donde... a alma há de morrer ou é mortal. – Não levam em conta que nefesh, em hebraico, pode significar o próprio homem inteiro, e não apenas a sua alma ou o seu princípio vital.



Data de Publicação: 08/01/2008

1. Como V. Revma vê hoje a questão da Liturgia no Brasil e no mundo?

Nós estamos vivendo uma fase nova na história da Liturgia. Nós tivemos durante todo o século 20 um movimento litúrgico extraordinário de retorno as fontes; um progresso imenso no estudo da liturgia. Depois, com execução da Reforma Litúrgica do Vaticano II, houve infelizmente uma aplicação muito errada da Reforma. Ela foi, de certa forma, positiva, mas muito mal aplicada. Agora vivemos uma terceira fase: a fase em que retomamos aquilo que poderíamos chamar de o “bonde perdido”, retomamos o “trem perdido”. Nós estávamos no movimento litúrgico, que foi interrompido por um processo revolucionário da década de 70 e 80, e agora estamos retomando aquele processo litúrgico anterior, para colher os frutos de um verdadeiro movimento litúrgico. É isso que o Papa Bento XVI, pelo menos espera colocar em ato, e aquilo que ele prevê no seu livro “introdução ao Espírito da Liturgia”.

2. O saudoso Papa João Paulo II, na sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, falava de “sombras” no modo com a Santa Missa é celebrada. Como interpretar essa expressão?

A meu ver essa sombras são exatamente isso: são frutos da má aplicação da Reforma Litúrgica. Nós vemos que, de alguma forma, entrou dentro do processo litúrgico da Igreja Católica uma mentalidade estranha e alheia a Igreja, que nós poderíamos chamar de mentalidade revolucionária, onde as pessoas fazem a Liturgia subjetiva, a partir dos seus gostos, de suas veleidades subjetivas. O Papa alerta para isso, e é necessário então nós retornarmos a forma tradicional da Igreja celebrar a Liturgia, mesmo que tenhamos os ritos litúrgicos do Vaticano II. Mas a Reforma Litúrgica do Vaticano II deve ser executada em sintonia com a tradição de 20 séculos.

3. Qual a importância do latim na celebração litúrgica? E do canto gregoriano?

A Liturgia só tem sentido quando ela é recebida do passado. Nós precisamos compreender que um rito litúrgico é algo recebido da tradição, recebido dos nossos pais. E é essa a importância do latim e do canto gregoriano. Ao se fazer orações em latim na Liturgia e ao se cantar cantos que foram cantados por gerações e gerações de cristãos antes de nós, nós tomando a consciência de que estamos vivendo algo que não foi inventado por nós, mas que nos une a uma multidão de santos e santas que viveram antes de nós, e que santificarem com aqueles textos e com aqueles cantos; se eles chegaram a se salvar e estar junto de Deus, também nós podemos fazer.

4. É possível resgatar um uso mais regular da língua latina mesmo na forma ordinária do Rito Romano, ou seja, na forma aprova pelo Papa Paulo VI? Como dar os passos para isso?

Não somente é possível como é desejável. Aliás, o próprio Papa Paulo VI e o Concílio Vaticano II sua constituição Sacrassanctum Concilium pediam isso: que os fiéis soubessem recitar e cantar orações em latim e usando o canto gregoriano. Agora, é evidente que tudo isso pode e deve ser feito dentro um processo, de um movimento gradual. Eu costumo sempre dizer que eu odeio tanto revoluções que as rejeito até quando elas são a meu favor. Uma revolução que de repente coloque tudo em latim e em gregoriano seria tão detestável quando a revolução da qual nós estamos querendo nos livrar. O povo de Deus não se move por decreto. O povo de Deus deve ser respeitado e educado lenta e gradualmente, trazido para a plenitude da fé católica e da beleza da Liturgia Católica, porque do contrario seria violentar o povo.

5. Quanto a Santa Missa “orientada” ou celebrada em “Versus Deum” (“Voltados para Deus”, isto é, com sacerdotes e fiéis voltados para a mesma direção), que o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, recomenda que se faça no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”: essa disposição pode ser utilizada mesmo na forma do Rito Romano aprovada pelo Papa Paulo VI? Qual o seu significado?”

Na verdade as rubricas do Missal aprovado por Paulo VI foram escritas pensando nas duas possibilidades: a Missa voltada para o povo ou a Missa voltada para Deus (também chamada de Missa orientada, já que as Igrejas eram construídas de tal forma que o sacerdote pudesse celebrar voltado para o lugar onde nasce o sol). Muita gente fala da Missa voltada para o povo como sendo uma das “conquistas” do Vaticano II. A verdade é que os documentos do Concílio nem tratam do assunto.

A Missa voltada para o povo foi uma adaptação introduzida pelos padres alemães celebravam assim em seus acampamentos com jovens e escoteiros. Isto que era uma situação completamente excepcional tornou-se regra quando da implantação da Reforma Litúrgica.

Na minha opinião a Missa voltada para o povo não tem nenhum fundamento teológico, psicológico ou pastoral, se considerarmos a verdadeira natureza da Missa. Sendo assim, a situação atual rompe completamente com a tradição de dois mil anos. Não há nenhum outro Rito Litúrgico que tenha este tipo de prática.

A Missa orientada tem a importante “missão” de tirar o sacerdote e colocar Deus no centro da celebração. Todos voltados para a mesma direção, sacerdote e assembléia, dirigem-se como Igreja para Deus e oferecem a ele o Divino Sacrifício Eucarístico.

O que fazer então? Segundo o Papa Bento XVI, no livro que você citou, a caminho de retorno, sem que o povo sofra violências, é colocar a cruz de volta no centro do altar. Desta forma o sacerdote celebrante pode olhar claramente para o Crucificado durante a Liturgia Eucarística e não dar ao povo a errada impressão de que está falando com a assembleia.

6. O Santo Padre Bento restaurou, recentemente, a Comunhão de joelhos e na boca em suas Missas celebradas em Roma. Muitos se surpreenderam com essa atitude do Papa. O que pensar disso?

Eu devo confessar uma coisa: eu, durante vários anos como padre, insisti terminantemente que as pessoas comungassem na mão, devido aos meus estudos. Eu estudei as catequeses mistagógicas de São Cirilo, e lá ele ensina a comungar na mão. E eu insistia nisso, porque afinal das contas, são os Santos Padres que estão nos ensinando; é a volta às fontes. E eu insistia nisso, e ficava até com raiva quando um seminarista vinha comungar na boca. Mas vejam: eu sou canonista, e também sabia que o seminarista tinha o direito de receber a comunhão na boca. Por isso, eu não proibia, só ficava incomodado. Tudo isso era o que eu lutava e cria até a pouco tempo atrás, até que Bento XVI me deu uma rasteira.
Bento XVI começou a dar a comunhão na Liturgia do Papa para os fiéis de joelhos, num genuflexório e na boca. Eu fiquei inicialmente chocado com aquilo, até que eu fui estudar. Por que ele é Papa! Se ele está tomando uma atitude, alguma razão tem. Então eu fui estudar quais são as razões, e como é que surgiu a comunhão na mão.

A primeira coisa que me espantou: descobri que a comunhão na mão – que é algo que podemos fazer, porque foi permitido – ela é uma excessão, segundo a lei canônica; ou seja, canonicamente a forma normal, comum, corriqueira , de se
comungar, é na boca. É isso que foi colocado na legislação por Paulo VI e está nas várias legislações de João Paulo II.

Mas desde que Paulo VI concedeu a comunhão na mão, ela é claramente uma exceção, permitam-me a redundância, excepcionalíssima. Vamos ficar com a verdade: a atual legislação da Igreja diz que a comunhão normal é na boca.

No Missal de Paulo VI , quando ele foi aprovado em 1969 e 1970 – são as primeiras aprovações do Missal que nós celebramos – não existe nenhuma referência à comunhão na mão. A coisa surgiu depois. E investigando, eu descobri que nos países do Norte da Europa – Holanda, Alemanha… – o pessoal começou a comungar na mão por iniciativa própria, por desobediência. O Papa ficou sabendo, e o Vaticano disse: parem com isso! Mas o pessoal continuou. Então chegou uma hora em que, para não ter uma rebelião em massa, o Vaticano deu uma autorização as Conferências Episcopais – como a CNBB, aqui no Brasil, por exemplo – para que elas, se acharem oportuno, peçam permissão a Santa Sé e a Santa Sé então dá permissão para a Conferência receber a comunhão na mão; mas o normal continua sendo a comunhão na boca. E isso eu descobri lendo um livro de um Arcebispo que foi responsável por toda a Reforma Litúrgica: Dom Annibale Bugnini (La Riforma Liturgica 1948 – 1975, Roma: CVL). Foi ele o chefe da comissão responsável por elaborar o Missal que nós temos hoje. E isso ele disse claramente, é ele que narra; eu não ouvi isso de uma fofoca.

Quais são as razões de Bento XVI agora estar dando a comunhão na boca e de joelhos? O Papa já falou algumas vezes, quando ele era cardeal, e ultimamente ele tem falado através dos seus ajudantes. Portanto, as informações que vou passar aqui são de ajudantes do Papa, como seu mestre de cerimônias, Mons. Guido Marini; o ex-secretario da Congregação para o Culto Divino, Dom Ranjith, e o atual Prefeito da Congregação para o Culto Divino, cardeal Cañizares.

O Papa acha que nós estamos correndo um risco muito grande de perder a devoção e a fé na Eucaristia. Infelizmente, em alguns lugares da Igreja, a Presença Real de Jesus na Eucaristia está se tornando uma piada: ninguém acredita mais.
São Cirilo de Jerusalém, em suas Catequeses Mistagógicas, recomendava aos seus fiéis que recebessem a comunhão nas mãos, e eu não estou recriminando isso: não é pecado receber a comunhão na mão. Mas São Cirilo não vive nos nossos dias, e eu duvido que na época dele houvesse esse tipo de escândalo que existe hoje, de gente que perdeu a fé na Presença Real de Jesus na Eucaristia. Isso é muito grave e nós precisamos fazer alguma coisa.

Não é uma questão de arqueologia litúrgica: se formos fazer arqueologia, é evidente que a comunhão na mão é muito mais antiga, é muito mais tradicional, do que a comunhão de joelhos e na boca. Mas o problema é que nós estamos em uma época em que a Presença Real de Jesus na Eucaristia está sendo esquecida, deixada de lado, e isso mudou a minha opinião: o Papa tem razão. Uma pessoa que recebe a comunhão de joelhos está se inclinando diante da Majestade de Deus: Deus é Deus, eu não sou nada. A pessoa que está recebendo a Comunhão na boca porque até a migalha mais pequenina da Hóstia Consagrada é preciosa; não somente é pedagógico, mas é verdadeiramente adoração, é verdadeira devoção eucarística, é verdadeira entrega a Deus.

Nos tempos que correm, nós não podemos nos dar ao luxo de arqueologismos litúrgicos. No primeiro milênio não tinha comunhão na boca, mas também não tinha herege que não acreditava na Presença Real de Jesus na Eucaristia. Nós estamos em um tempo diferente, e a Igreja evolui também na sua forma de demonstrar devoção a Cristo. Foi de mil anos para cá que começaram aquelas heresias que negaram a Presença de Cristo na Eucaristia que culminaram com a reforma protestante, que a negou de vez, e agora estamos nessa situação.

O Papa está nos dando exemplo de devoção eucarística, de verdadeira união a tradição da Igreja, mas uma tradição que sabe evoluir ao longo dos tempos; a Igreja sabe, como mãe e mestra, colocar o remédio certo na hora certa. E em um tempo em que, infelizmente, acontecem abusos e padres que perdem a fé na Presença de Jesus na Eucaristia, a Igreja como mãe e mestra quer renovar essa fé.

7. Em muitas dioceses há sacerdotes e ministros extraordinários que negam ministrar a Comunhão para o fiel que deseja comungar de joelhos, fazendo que os fiéis passem por situações constrangedoras e gerando escândalo. Como V. Revma. esse fenômeno, e o que fazer em relação a isso?

Eu sou professor de Direito Canônico, e uma das observações que eu faço em aula para os meus alunos é o seguinte: que de uma forma geral os padres e bispos tem alergia ao Direito Canônico, exatamente porque 90% das normas canônicas estão lá para defender os fiéis, os sacramentos e a Palavra de Deus do alvitre dos padres e bispos. Então é evidente que aqueles que são os mais tolhidos pelo Direito Canônico são aqueles que mais recalcitram contra ele. No entanto, o Direito Canônico é necessário. A Igreja dá poder aos padres e bispos, e ao mesmo tempo se apressa em limitá-lo. Porque sabe que pelo nosso pecado original nós temos uma tendência de abusar do poder. Negar a comunhão ao fiel que legitimamente deseja recebê-la de joelhos e na boca é sem dúvida alguma um abuso de poder. Para resolver o problema, eu recomendo aos fiéis prudência e determinação. Prudência para ver se com 10 mil homens você consegue vencer um exercito que vem contra você com 20 mil. E determinação para não abandonar a reverencia e a sacralidade da forma com nós recebemos a Sagrada Comunhão. Penso que é importante que os fiéis insistam num movimento litúrgico em que o verdadeiro espírito da Liturgia seja resgatado, mesmo que esse movimento tenha que pacientemente esperar décadas.

8. E quanto à forma extraordinária do rito romano, a ”Missa Tridentina”? Como vê V. Revma. esse aumento dos pedidos dos leigos para que se a celebre?

O Missal anterior aquele que nós celebramos hoje é um Missal que santificou gerações e gerações de cristãos. As pessoas vêem que existe algo de errado na forma de se celebrar hoje em dia, e por isso tem a tendência de imputar essas dificuldades ao Missal de Paulo VI. Ou seja, “se a Liturgia vai mal, é porque o Missal de Paulo VI é mau”. Eu respeitosamente discordo dessa opinião. Eu acho que se nós executássemos o Missal de Paulo VI, se nós obedecêssemos a ele, teríamos uma Liturgia esplendorosa e magnífica. O problema é que não o fazemos. Então existem muitos equívocos com relação ao Missal de Paulo VI. Nós vemos, por exemplo, na internet, com freqüência, abusos litúrgicos que são fotografados e colocados dizendo: “Vejam o Missal de Paulo VI!” Quando isso é incorreto, ou seja, aquilo não é o Missal de Paulo VI, aquilo é o abuso dele. Não posso imputar ao Missal de Paulo VI os atos daqueles que estão destruíndo este Missal. Agora, esses pedidos que aumentam cada vez mais de se celebrar a Liturgia conforme o Rito Extraordinário são pedidos de pessoas bem intencionadas que querem voltar a tradição da Igreja, e por isso devem ser valorizados e respeitados, ao mesmo tempo em que essas pessoas deveriam ser esclarecidas, para que se compreendesse que a atual situação de desrespeito da Liturgia não é devida ao Missal, mas exatamente a ausência de respeito ao Missal.

9. Dizem que nas dioceses e instituições que prezam pela Liturgia bem celebrada, de acordo com as normas liturgias, com incentivo ao canto gregoriano, ao latim, mesmo ao canto popular mais sóbrio, e mesmo em vernáculo celebrada de forma decorosa e solene, haveria um aumento de vocações. Isso é verdade e como podemos analisar este fenômeno?

Eu concordo com o falecido cardeal Hans Urs von Balthasar, que dizia que o homem moderno será atraído para Deus não tanto pela verdade da fé, ou pela bondade do caminho moral cristão, mas pela beleza. Cita-se com freqüência a frase de Dostoiévski “a beleza salvará o mundo”. De alguma forma, é verdade que o homem moderno, se sente muito mais atraído para Deus, para a verdade da fé, e para a bondade do caminho cristão, se esta verdade e esta bondade forem apresentadas de forma bela. Este é o caminho que atrairia muitas pessoas a Deus. E atraindo essas pessoas com a celebração litúrgica bela, bonita e decorosa, certamente, entre elas, haveria muitas vocações. Eu não tenho duvida que uma celebração conforme a tradição da Igreja é fonte de vocações para a Igreja, e que celebrando mal, teremos menos padres, celebrando bem, teremos numerosas vocações.

10. O clero brasileiro percebe a importância do latim, do canto gregoriano, e assim por diante?

É necessário distinguir. Existe uma nova geração que está acordando para isto. A nova geração de padres e seminaristas está resgatando aquilo que a geração anterior jogou fora. Infelizmente esses padres jovens e seminaistas não tem nem poder e nem influencia suficiente para mudar substancialmente o contexto eclesial no qual eles vivem. Mas chegará o dia em que eles estará amadurecidos e prontos para assumir o comando, e então veremos uma situação melhor. Por isso eu diria que o clero brasileiro, de alguma forma, está dividido entre uma geração mais antiga, que viveu a revolução estudantil de 1968, os desmandos da aplicação inicial da reforma litúrgica, a revolução sexual, o secularismo, e todo o tipo de reação adversa ao cristianismo e à Igreja. Esta geração mais antiga é a geração que nos governa atualmente, eles são muito temerosos e resistem a querer enfrentar o mundo moderno. Já a geração mais nova é de uma outra lavra. Eles já nasceram dentro do secularismo, e portanto o rejeitam e não tem medo de enfrentá-lo. O único problema desta nova geração é que muitas vezes ela não tem formação e nem orientação suficiente para notar a sua vocação de transformação e reforma da atual situação de Igreja.

11. Como reitor de seminário, quais os meios que V. Revma. vê para formar seminaristas totalmente ortodoxos em matéria litúrgica?

Existem inúmeros meios. Uma das coisas que nós fazemos em nosso seminário é não supor que o rapaz que acaba ingressar no seminário é cristão e é católico. A fé ela deve ser transmitida. Então é necessário receber o candidato que ingressa no seminário transmitindo a ele a fé da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica, a Tradição da Igreja através de um conhecimento da história da Igreja, sobretudo da história da Igreja antiga, dos Santos Padres e dos primeiros concílios, transmitir a ele o sentido da correta interpretação das Sagradas Escrituras na Tradição da Igreja, e finalmente transmitir também o respeito as normas e aos textos litúrgicos. Se nós edificarmos esse rapaz em todo esse contexto geral de eclesialidade, ele irá, depois, obedecer as normas litúrgicas. A dificuldade que eu vejo sempre na obediência dos padres jovens é muitas vezes a dificuldade da ignorância. Eles não sabem o valor daquilo que estão jogando fora.

12. V. Revma. tem enfrentado resistências em algum esses sentidos? Como resolvê-las? Vê algum sinal de esperança?

A resistência nós a encontramos quando tentamos enfrentar o problema sem pedagogia e sem respeitar a história acontecida até agora. Vou tentar ser mais claro: em alguns lugares do Brasil, por exemplo, os padres insistem ainda em celebrar a Missa só de estola, sem casula. Ora, se eu chego e tento impor aquele padre o uso da casula, eu devo considerar primeiro o fato que se ele está usando somente estola é porque ele foi formado assim. E se eu for buscar a raiz, eu irei ver que essa desobediência tem origem na norma que foi dada pela Santa Sé permitindo ao clero brasileiro na década de 70 de celebrar a Missa apenas com túnica e estola. Portanto, é uma situação que foi instaurada pela própria autoridade da Igreja. Se agora eu tenho um decreto de Roma que manda, mais uma vez, que os padres abandonem este uso e comecem a usar a casula, eu tenho que considerar esta história e ter a paciência histórica de levar as pessoas à compreensão desta mudança. Então, as resistências muitas vezes são fortes quando nós não levamos em conta o fato de que nós temos toda uma geração que não recebeu uma formação adequada exatamente por causa dos próprios documentos e orientações que receberam. Portanto, talvez seja necessário ter paciência com esta geração mais antiga e esperar por uma geração nova formada de uma forma diferente.

13. Como V. Revma. enxerga a grande migração que muitos leigos, inclusive jovens, fazem em direção a grupos que, embora conservem a liturgia tradicional, a Missa Tridentina, não estão em plena comunhão com Roma? O que fazer para solucionar o problema?

Em primeiro lugar eu vejo que talvez o grupo não seja tão grande assim, pelo menos aqui no Brasil. Em segundo lugar, a solução para uma revolução nunca é uma outra revolução. A solução para uma revolução de esquerda não é uma revolução de direita. E o que eu entendo por revolução? A mente revolucionária é aquela cabeça de adolescente que está convencida de que sabe como o mundo deve ser, e por isso, o mundo está errado. Quando os jovens do movimento hippie viram o mundo dos seus pais e contestaram e rejeitaram aquele mundo, estavam sendo revolucionários. Quando o jovem tradicionalista de hoje vê o mundo dos seus pais, e o rejeita completamente, também está sendo revolucionário. Qual seria a solução? A solução é sempre vivermos num mundo real com suas dificuldades e contradições e tentar combater a maldade que nós encontramos no dia-a-dia sem destruí-lo. Sendo mais concreto: sair da Igreja para salvar a Igreja já foi tentado por Lutero e deu errado. É necessário abraçar a Igreja real, como ela sempre existiu em 2000 anos. Uma Igreja com membros cheios de pecados, falhas e traições, embora a Igreja seja santa e imaculada. A fidelidade à Igreja é parecida com a fidelidade de um casal. Uma comparação semelhante é feita por São Paulo em sua carta aos Efésios (6, 32). O casal precisa estar pronto para perdoar o pecado um do outro, sem desistir um do outro. O jovem que se divorcia da Igreja porque não suporta os defeitos dos seus membros está abandonando uma Igreja real para viver numa Igreja ideal que a meu ver não passa da expressão de uma revolução de direita.

14. O Cardeal Castrillón Hoyos insiste na chamada “ars celebrandi”, expressão que é frequentemente utilizada também pelo Santo Padre Bento XVI. Em que ela consiste? Como colocá-la em prática?

A Liturgia é chamada historicamente de teatro. Para nós modernos, o teatro é sempre algo falso, algo sem consistência de sinceridade. Por isso, falar de arte de celebrar pode parecer a insistência numa pantomina e numa hipocrisia, mas não é isso. A Liturgia é teatro n sentido de drama. Nela, acontece o drama de nossa salvação. Nela, existe um conflito de liberdades: a liberdade divina e soberana, como protagonista principal desse grande drama, e a liberdade humana que deve se configurar a Deus. Nesse sentido, toda a historia da salvação é um drama, um teatro. A arte de celebrar é a entrada do ser humano todo neste drama extraordinário que a própria Liturgia chama de duelo entre a vida e a morte, é da sequência Pascal, “mors et vita duelo, conflixerunt mirando”. Neste contexto, a arte de celebrar significa uma entrada da pessoa como um todo dentro de um drama espiritual e isto acontece através dos símbolos litúrgicos que são também símbolos artísticos.

15. Quais são as causas, na visão de V. Revma., de tanto desleixo para com a Liturgia no Brasil? A Teologia da Libertação, o modernismo, condenado por São Pio X, bem como o marxismo cultural e a Revolução, têm que parcela de culpa?

Sem duvida alguma, aquilo de negativo que nós encontramos na atual vida litúrgica do Brasil, é fruto de um processo revolucionário. Mais uma vez eu gostaria de enfatizar o que é a mentalidade revolucionária:a mente revolucionário é aquela que está muito convencida da verdade das suas idéias, e quer impor ao mundo as suas idéias. Os liturgos revolucionários no Brasil tem a tendência de confeccionar uma liturgia mental, o ideal daquilo que seria a Liturgia para eles. E então aplicar essa idéia de Liturgia na prática. Ora, pouco importa que a matriz revolucionária desses pensamentos seja marxista, da Teologia da Libertação, modernista ou liberal; trata-se sempre de um único e mesmo mecanismo. O liturgista se propõe como demiurgo da Liturgia. Ele faz, ele cria, nesse sentido esses liturgistas que pretendem ser tão democráticos, na verdade, não passam de déspotas porque impõem a assembléia litúrgica as suas idéias de Liturgia. Nada de mais anti-democratico do que um liturgista revolucionário ou uma equipe litúrgica revolucionaria, que é uma pequena elite que impõe ditatorialmente ao povo de Deus as suas concepções de Liturgia. E o Direito Canônico diz claramente que o povo de Deus tem direito de receber dos seus Sagrados Pastores a Liturgia da Igreja.

16. Felizmente, hoje alguns excelentes escritos litúrgicos tem sido publicados ou chegando ao Brasil em português, como “Introdução ao Espírito da Liturgia”, do Cardeal Ratzinger (hoje Papa Bento XVI), e “Dominus Est – É o Senhor!”, de Dom Athanasius Schneider. Por que há essa dificuldade de tais materiais chegarem ao Brasil, e como avalias em geral os escritos litúrgicos publicados aqui?

Como eu me referi em uma outra pergunta, nós atualmente somos governados, tanto no âmbito político como no âmbito eclesial, pela geração que viveu as grandes mudanças da década de 70. A maior parte das pessoas dessa geração ou são plenamente revolucionarias ou tem um medo imenso de enfrentar a mentalidade revolucionaria. Por isso, a tendência de selecionar os títulos que são publicados no Brasil, já que a maior parte dos editores pensa ou que esses títulos são inoportunos, porque são editores revolucionários, ou que esses títulos não irão vender e que não há interesse geral porque são editores que já capitularam diante da pressão revolucionária. Um dos lugares onde as pessoas mais corajosas encontram um fórum livre, no qual podem ter acesso a esse tipo de literatura, é a internet. Embora muitos livros não estejam disponíveis em sua totalidade na internet, pode-se partilhar o conteúdo desses livros de forma indireta, através de resumos e resenhas.

17. Como V. Revma. avalia que o Santo Padre Bento XVI, em sua proposta de “reforma da reforma”, tem sido apoiado pela demais autoridades litúrgicas de Roma, Cardeal Cañizares, Cardeal Arinze, como Dom Guido Marini, Mons. Ranjith?

Essas pessoas citadas são todas pessoas de confiança direta do Santo Padre e que receberam o encargo de por em ação esse novo movimento litúrgico. Muitas pessoas reclamam da lentidão com que Roma estaria realizando esta Reforma da Reforma, mas eu creio que a lentidão faz parte desse processo. Não é necessário dizer que qualquer decreto vindo de Roma não tem efeito algum se não houver uma recepção na base, e que portanto, mais importante do que exarar decretos, é por em ação um movimento, principalmente entre os jovens, onde a sensibilidade para com a Liturgia da Igreja e a Tradição seja mais presente. É exatamente isto que esses homens estão fazendo.

18. Alguns padres mais novos começam a vestir batina, a usar clergyman, a celebrar com decoro, a se interessar pelo latim, pela forma ordinária bem celebrada (inclusive com latim e canto gregoriano), pela Missa Tridentina. Também leigos bem formados estão despertando e tomando iniciativas apostólicas para promover a Liturgia de acordo com o que nos manda a Santa Igreja e conforme a tradição da Igreja. O que diz V. Revma. disso tudo?

Vejo com bons olhos porque vejo a boa vontade desses jovens. Embora deva admitir que é necessário que toda essa boa vontade seja acompanhada de uma boa formação espiritual. Porque toda esta embalagem precisa ser acompanhada de conteúdo. Quanto eu era seminarista, no final da década de 80, já se notava na Europa uma tendência de os seminaristas serem mais conservadores do que os seus próprios formadores dentro dos seus seminários. No entanto, muitas vezes, por falta de formação espiritual, de uma vida ascética de disciplina, esta boa vontade dos seminaristas caiu na vazies de uma vida incoerente com aquilo que se propunha. Penso que é muito importante que o padre ame a sua batina, mas mais importante ainda é que ele honre a sua batina. Porque em alguns lugares tem tido um efeito devastador jovens sacerdotes se vestirem com a tradição e levarem uma vida moral em completo desrespeito com a Tradição. Por isso, vejo com bons olhos a boa vontade desses padres jovens e seminaristas, e ao mesmo tempo vejo com apreensão porque penso que é necessário dar a eles uma formação espiritual e ascética que corresponda a essa boa vontade. É aquilo que eu tentei fazer quando escrevi o meu livro sobre a Terapia das Doenças Espirituais.

19. Aos que querem a Missa mais sóbria, de acordo com as normas, com incenso, latim, paramentos bonitos, logo se lhes acusam de “rubricistas” ou de “obtusos”, “antiquados” e até de “fariseus”. Dizem que a Missa tem que ser “alegre”, com improvisação, sem se prender a fórmulas. Alegam que pra Jesus, “o que importa é o coração, é o interior”. Como responder a tudo isso?

“Unum facere et alium non omittere”, Fazer uma coisa e não omitir a outra. Ou seja, observar as normas litúrgicas e obedecê-las não é algo que está divorciado com o coração. É necessário escolher as duas coisas. Obediência das normas e soprar sobre estas normas, que são letra morta, o Espírito com o qual elas foram elaboradas. O espírito que é uma verdadeira tradição espiritual da Igreja. Por isso, essa dicotomia é uma falsa alternativa. Seria como pedir a uma pessoa que escolhesse entre o corpo e a alma, dizendo a ela ou ela fica com a alma ou ela fica com o corpo. A única resposta possível é dizer: eu não escolho, eu fico com os dois. Eu fico com a norma litúrgica e fico com o coração.

20. Vemos no Brasil que, após décadas de predomínio do pensamento da Teologia da Libertação, uma nova tomada de consciência por parte de muitos fiéis no que diz respeito a Santa Missa como Renovação do Sacrifício do Calvário, a Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, e culto de adoração devido a Ele, e assim por diante. Porém, mesmo em alguns desses meios onde está ocorrendo esta tomada de consciência (como em alguns ambientes da Renovação Carismática Católica), ainda há uma resistência em celebrar conforme determinam as normas litúrgicas e valorizar realmente o esplendor e a solenidade segundo a tradição litúrgica. Qual a causa dessa contradição? Como resolver?

Existe uma idéia equivocada que pensa que o Evangelho é incompatível com a lei, ou seja, que o Espírito sopra onde quer e que uma lei só iria matar a verdadeira fidelidade ao Evangelho de Cristo. Mas esse idéia é equivocada. O Evangelho de Cristo é uma Palavra que me vincula. Quanto eu dou o meu assentimento de fé a Cristo, eu estou necessariamente vinculado a Palavra Dele, e portanto, na própria natureza do Evangelho e da resposta de fé, existe algo que me vincula e que me limita. Eu não posso trair a Palavra de Cristo. Eu não possa transformá-la em uma outra Palavra. Eu preciso aceitá-la, ser fiel a ela e transmiti-la como eu recebi. Isto que acontece com a Palavra deve acontecer também com o Sacramento. O que seria de nós, se nós disséssemos que eu preciso transmitir a Palavra de Deus com liberdade e criatividade? Terminaria que no curso de uma década, a Palavra de Deus pregada já não seria mais a Palavra de Cristo; talvez não seria nem necessário esperar uma década. A mesma coisa acontece com o Sacramento. O que me garante que o Sacramento que eu hoje celebro é o mesmo Sacramento do Cristo de 2000 anos atrás? É simplesmente o fato de que Ele deixou um Sacramento. E esse Sacramento me vincula, e eu preciso fazer de tudo para que esse Sacramento seja transmitido ao longo dos séculos tal qual ele é. Por isso, o Espírito, a liberdade e o Evangelho não são incompatíveis com a lei, a tradição e o vinculo necessário para que a Palavra e o Sacramento de Cristo seja os mesmos através dos séculos.

21. Um futuro promissor para a liturgia no Brasil é visto por V. Revma. a curto prazo? Quais os erros que devem ser evitados nesse trabalho de “reforma da reforma”?

Se nós olharmos para a história da Igreja, nós notaremos que nunca aconteceu aqui na terra o paraíso da Liturgia perfeita. Penso que é importante não esperar esse paraíso. O que nós podemos esperar para o nosso futuro é que nós tenhamos força e decisão moral o suficiente de proteger a Liturgia e os Sacramentos da Igreja, de lutar para que os Sacramentos e a Liturgia não sejam destruídos, mas celebrados conforme a Tradição, conforme aquilo que Jesus e os Apóstolos deixaram. Penso que é esse o futuro que nós podemos desejar para o Brasil. Também penso que não é possível prever o futuro, já que, em todo o futuro, existe uma liberdade humana, e dependerá de nós que esse futuro seja melhor do que aquilo que vivemos hoje.

22. Por fim, uma palavra de incentivo aos leitores do Salvem a Liturgia, e o seu pensamento a respeito do nosso Apostolado.

Penso que é de extrema importância colocar a Liturgia no centro dos debates e da vida eclesial. O Papa Bento XVI escolheu a Liturgia como a grande contribuição do seu pontificado. Aos leitores do salvem a Liturgia, eu gostaria de dizer que continuem amando e fazendo o bem a Igreja, da forma que estão fazendo, porque se salvarmos a Liturgia, seremos salvos por ela.